Entre a terra e o céu



Maria estava deitada sobre um monte de terra tentando abraçar o seu cão, ali sepultado. Foi assim que a mãe a encontrou, quando tudo ficava em silêncio era sinal de que ela estava ali. Aproximou-se devagar, como se ela pudesse magoar-se com o som dos seus passos, ela ultimamente gostava de ficar assim. Como mãe tinha a sensação de que ela ficava tentando sentir algum barulho do seu cão. Ajoelhou-se ao lado e sem fazer muito barulho.
-O teu cão já não está ai, foi para o céu e de dia será uma nuvem e a noite irá, ser uma estrela- pela primeira vez sentiu a Maria, chorar sem gritar, era um choro profundo, lá do fundo do coração. A sua menina tinha apenas seis anos, estava deitada sobre o montinho de terra onde seu cão foi sepultado sem compreender bem o porque da morte...
-Ele não ladrar, não lambe a minha cara, não sente a minha falta, como eu sinto dele- Com a sua voz saindo do coração, Maria limpou as lágrimas com a sua mãozinha. A mãe acariciou-lhe os cabelos e respondeu:
-Apesar de ele gosta muito de ti, não o pode fazer, porque foi para o céu e quem vai para o céu não pode voltar mais!-
-Se fosse ela a ir para o céu, nunca deixaria o meu cão, nunca deixaria de lhe dar comer, de brincar com ele- Ela olhou-a com os olhos desfeitos em lágrimas. A mãe suspirou…
-Ele não pode! O céu é um lugar muito belo, mas não tem caminho para a terra… ele está bem, lá é um cão feliz, como foi contigo!- Maria se levantou como se nada fosse impossível:
-Tem de haver uma porta secreta no céu, eu viria ver o meu cão e ele nunca será feliz sem mim, assim como eu, sem ele!- E correu para onde costumava correr com o seu cão, estava triste apesar do lindo dia de sol, estava triste apesar de todas as flores espalhadas pelo seu pequeno mundo, estava triste porque o meu cão, tinha ido para o céu e ela, não e como desejava ir...
A mãe não foi atrás dela, porque sabia que não saia dali, estava a penas a sofrer a perda do seu cão, o companheiro dela. Meu cão era o nome do cão, sempre lhe dissera que não se podia chamar meu cão, por ser não ser um nome. Mas ela achava que o cão era dela e seria sempre o meu cão.  A mãe acabou por sorrir e de não se importar! O chamado de “meu cão” era um cão pequeno, de raça nenhuma, talvez fosse de raça do amor para Maria gostar tato dele e ela tinha razão, era um cão muito especial, todo branco, com muito pelo, orelhas compridas e forte, por culpa de todos os bolos que Maria lhe dava, era cheio de amor e onde estava a filha, o meu cão estava. Ela cuidava do seu cão, brincava com ele as escondidas, mesmo que ele a seguisse sempre, em vez de se esconder. Eles corriam pelo campo da quinta para contar as flores, muitas vezes ele cai-lhe em cima lembendo-lhe a cara, que fazia muitas cocegas e a noite dormiam juntos, acordava com o seu cão a lamber a cara, ele sempre fazia isso, menos aquela manhã… Maria calçou os sapatos da mãe que tinha trazido a noite a trás e foi chamar-la porque o meu cão dormia muito e não se mexia, disse ela sentido que algo estava mal. Acorda o meu cão, dizia ela! Mas o seu cão não acordou mais! A mãe disse-lhe que o meu cão era agora um anjo, tinham de abrir um buraco na terra para ele dormir lá para sempre! Eu não gosto de anjos, nem de buracos na terra e chorou! Foi assim que a sua filha começou a sentir a perda, vai passar… pensou suspirando, olhando a sua filha, ficou a porta de casa. Maria era filha única, vivia numa quinta, rodeada de muitos animais, sem crianças para brincar cresceu com o seu cão como amigos para a vida e agora tinha seguir sozinha, uma perda demasiada grande para uma menina, que só queria o seu cão, algo que já não podia ter… a cozinheira, a Dona Susana, uma mulher já de idade muito avançada perguntou se a menina estava mais conformada. A mãe só disse: não, mas vai passar… Depois de algum tempo, demasiado tempo para uma menina sem o seu cão. Maria se aproximou da mãe com os olhos em tons de curiosidade, perguntou a mãe onde ficava o céu de Jesus? A mãe apontou para cima -Vês aquele azul bonito…  é o céu! O teu cão está naquele lugar bonito, devias ficar menos triste por ele…- Maria olhou aquele céu e respondeu com outra pergunta: Mas a mãe enterrou ele na terra, ele não consegue ir para o céu sozinho, é muito alto mãe e acredita, eu salto mais alto do que o meu cão e não chego lá! O meu cão está preso na terra, como pode chegar lá?- A mãe ajoelhou-se para ficar ao nível da filha
- Ali, está apenas o corpo dele, a alma dele foi para o céu.- Maria olhou para o monte onde o seu cão estava sepultado e pergunto: como vai poder o meu cão correr sem o seu corpo, ver sem os seus olhos e sem a sua boca para comer? A mãe tentando responder sem nenhuma certeza
- Se calhar o meu cão, não precise de comer, de ver e no céu seja capaz de voar…- como um passarinho... pensou Maria, mas os passarinhos não são como cães.
-Mãe, um cão nunca pode ser como um passarinho, um cão não voa e muito menos o meu cão, que é pesado e gosta de correr ! Corria mais do que eu...- Maria falava como se tivesse preste a começar uma corrida com o seu cão, ainda olhou o horizonte… A mãe por outro lado ficava sem palavras para tanto amor, suspirou e por fim disse: Acho que isso lá no céu não importa, porque lá tudo é possível… Maria!
-Menos eu lá estar para brincar com o meu cão…acho que ele gostava mais daqui na terra, mãe...- A mãe beijou-a na face -Talvez o céu do cães seja na terra… pensa que ele está bem onde estiver e tu logo encontras outro amigo!-
-Não quero outro amigo, quero o meu cão!- e fugiu como se tivesse a correr até se cansar, mas não foi muito longe. Deixou-se cair sobre a erva e ficou olhando o céu, gritou pelo meu cão como se ele fosse ouvir e espreitar por entre uma nuvem, abanando aquele rabinho curto de felicidade. Nada se ouviu, nada se viu, fechou os olhos tentando imaginar o seu cão e até ai, já não o conseguia imaginar bem. Deixou escapar: amo o meu cão! Ainda punha de comer ao seu cão todos os dias ao lado do monte, apesar da cara feia da mãe, ela era teimosa e parecia não querer desistir do seu cão. Um dia foi a aldeia e foi encontrar Maria a discutir com Jesus para ele lhe devolver o seu cão: -Já rezei muito para trazeres de volta o meu cão e tu não me ouviste, vou ter de ser má e morde-te um pé, vais ver como dói e acredita que não vai doer tanto como dói ficar sem o meu cão- Quando a mãe a puxou pelo braço para fora de igreja, ela ainda se virou e disse: gostava de ti, como a mãe gosta. Agora tenho raiva de ti por teres lavado o meu cão. Nem o facto de a mãe ter ralhado com ela, deixou de sentir raiva daquele Jesus que nunca ouve e levou o seu cão. Jesus não sabe o que é o amor, ou não levava o que a gente ama. A mãe dizia-lhe que Deus sabe o que faz, Maria não acreditava nisso, gostava era do que os outros amavam, isso sim! Foi com esse pensamento que um dia Maria chegou ao pé da mãe e disse: Eu nunca quero ir para o céu onde está Deus, não o quero ver brincar com o meu cão e saiu sem deixar a mãe falar. A mãe estava a chegar ao seu limite, ela também não aguentava mais ver a filha sofrer assim.
Numa das muitas noites em que Maria acordava de um sonho de saudade, (como ela lhe chamava) pareceu-lhe sentir o meu cão ladrar, levantou-se e foi a janela, uma tempestade caia e num cair de flash do céu (era assim que Maria chamava aos relâmpagos) pareceu-lhe ver o meu cão e saiu a correr para a rua, a chuva parecia nem lhe tocar. Talvez Deus a tivesse ouvido e devolver o seu cão. Chamou: Meu cão, varias vezes! A chuva cai sobre ela com toda a força, o vento puxava-a até ela perder a noção onde estava a casa e chamou pela mãe, foi quando caiu a terra molhada e a partir dai não se lembra de mais nada. Maria ficou de cama com febre, ora com o coração no céu, ora com os pés na terra, era frequente ela falar alto como se brinca-se com o seu cão. O médico tinha dito a mãe que era uma gripe, misturada com uma depressão, que devia correr tudo bem, mas podia evoluir para coisas mais graves, restava esperar.


Meu cão! Como estás bonito, nunca mais te vou deixar e ria… Maria sorria na cama do hospital. A mãe ao lado dela falava com ela com o medo da ideia que a Maria não pudesse voltar.
No céu: O meu cão ladrava em volta de Maria e saltando, ela dançava de felicidade em volta dele e ria, ria como se dela viesse todo o riso do mundo. O cão se afastava e ela corria atras dele, sentia-se cada vez mais leve, mais perto do céu, mais longe da terra. Foi quando uma mão a agarrou, ela olhou para trás e viu um homem com umas barbas grandes e gritou: Deus! Tens de me devolver o meu cão ou deixa-me ficar aqui.
Na terra: A mãe se encontrava agarrando a mão de Maria, as maquinas de suporte de vida dispararam o alarme e logo o medico apareceu, as enfermeiras afastaram a mãe que chorava.
No céu: Maria olhou para o homem mais uma vez sem obter resposta. Ele sorriu e disse que não era Deus, apenas a tinha vindo ver. A mim? Perguntou Maria surpreendida! Sabes há muito anos deixei na terra uma menina como tu, então vim ver-te! Nasci a pouco tempo, não podia ser eu… sei disso, mas és igualzinha, por isso serve para matar saudades. Hum… já viste Deus, é que quero o meu cão de volta ou ficar cá! O homem riu-se, nunca vi Deus e já muito tempo estou aqui, talvez juntos o possamos encontrar…
       Na terra: Para a mãe de Maria na terra, o cenário lhe parecia cada vez mais horrível, ela não podia perder a filha que tanto amava, e la orava com o coração a seu Deus para que não lhe levasse a filha
        No céu: Sim, com a sua ajuda posso encontrar Deus! O homem olhou para ela e sorriu, abanando a cabeça que sim! Não hoje e nem amanhã, pois se o fizermos agora a tua mãe vai perder o seu cão. Maria ficou confusa, a mamãe não tem cão! Não, disse o homem. Mas tem o amor por ti, o mesmo amor que tens pelo teu cão e tu também tens por ela, que eu sei! Só que pensas não ser tão forte porque ainda não perdeste a tua mãe e vais perder se ficares aqui, como eu perdi aquela menina parecida contigo. Nesse momento o meu cão aproximou-se de Maria lembendo-lhe a cara e ela, amo tanto o meu cão.
         Na terra: A enfermeira disse a mãe que os  médicos iam fazer o ultimo esforço para salvar Maria. A mãe deixa-se cair no chão e chora,foi levantada e deram-lhe um acalmante, ficando na cadeira olhando céu azul lá fora, a cor mais triste que já tinha visto.
            No céu: Maria repetia, amo o meu cão e ele se afastou olhou para ela abanando o rabo, ela abaixou os olhos em lágrimas, amo-te muito meu cão, mas amo mais a mamãe e não a posso deixar. O homem olhou para ela, tocou-lhe no rosto para lhe limpar as lágrimas e disse, fizeste a melhor escolha Maria… eu vou cuidar do teu cão, prometo! Mesmo verdade? Perguntou Maria. Juro pela minha menina e tu prometes-me uma coisa? O quê? se vires a minha menina dá-lhe um abraço por mim e cuida dela por mim? Maria levantou a cabeça e prometeu, isto se a vir disse ela! Vais ver! Disse o velho a sorrir e agora vai, a tua mãe precisa de ti. Maria olhou para o meu cão, ele ladrou e o velho beijou-a na testa, Adeus Maria e foi ter com o cão, juntos sumiram. Maria se sentiu pesada, muito pesada que a nuvem se abriu e caiu.
         Na terra: O medico se aproximou e disse: conseguimos, ela está estável! A mãe sorriu a chorar, quase como se não acreditasse! Só perguntou: Quando a posso ver? Mais logo, sorriu o médico tocando-lhe no ombro. Maria recuperou rápido,ao que os médicos lhe chamaram de milagre. Quando abriu os olhos, perguntou a mãe se tem dado comer ao meu cão. A mãe sorriu e disse-lhe que sim e quando uma semana depois Maria voltou para casa e viu o monte, onde estava o meu cão sepultado e vivo a sua tigela com comida foi lá e trouxe-a, dizendo: ele  já não precisa, lá no céu tem quem cuide dele mamãe! A mão sorriu abanando a cabeça que sim.


       A Primavera passou, veio o Verão e o Outono, Maria tentava encontrar a tal menina, mas sem exito! Isso a deixava ansiosa, pois queria cumprir a sua promessa. O monte do cão tinha desaparecido, ela nunca o esqueceu, mas sabia que estava bem. A mãe tocou-lhe no ombro queres ajudar a mãe arrumar umas coisas velhas? Ela acenou que sim e juntas foram mexer nas coisas velhas, caixas, roupas e coisas que eram do pai. Numa caixa Maria encontrou uma foto antiga, lá estava um homem parecido com o homem que tinha visto com uma menina parecida com ela e perguntou a mãe quem era? Ela limpou a moldura e disse, está pequena sou eu e este homem o meu pai, o teu avô. Já nem me lembrava que tinha esta foto, vou pô-la na sala, o que achas? Maria concordou, não disse nada a mãe, mas agora sabia que a menina era a mãe e o homem no céu o avô. Ela abraçou a mãe e disse-lhe, amo-te muito mamãe e vou cuidar sempre de ti, prometo! A mãe espantada com o gesto da filha, tentou esconder as lágrimas com um: também te amo muito minha filha e vou cuidar sempre de ti


Maria estava deitada sobre um monte de terra tentando abraçar o seu cão, ali sepultado. Foi assim que a mãe a encontrou, quando tudo ficava em silêncio era sinal de que ela estava ali. Aproximou-se devagar, como se ela pudesse magoar-se com o som dos seus passos, ela ultimamente gostava de ficar assim. Como mãe tinha a sensação de que ela ficava tentando sentir algum barulho do seu cão. Ajoelhou-se ao lado e sem fazer muito barulho.
-O teu cão já não está ai, foi para o céu e de dia será uma nuvem e a noite irá, ser uma estrela- pela primeira vez sentiu a Maria, chorar sem gritar, era um choro profundo, lá do fundo do coração. A sua menina tinha apenas seis anos, estava deitada sobre o montinho de terra onde seu cão foi sepultado sem compreender bem o porque da morte...
-Ele não ladrar, não lambe a minha cara, não sente a minha falta, como eu sinto dele- Com a sua voz saindo do coração, Maria limpou as lágrimas com a sua mãozinha. A mãe acariciou-lhe os cabelos e respondeu:
-Apesar de ele gosta muito de ti, não o pode fazer, porque foi para o céu e quem vai para o céu não pode voltar mais!-
-Se fosse ela a ir para o céu, nunca deixaria o meu cão, nunca deixaria de lhe dar comer, de brincar com ele- Ela olhou-a com os olhos desfeitos em lágrimas. A mãe suspirou…
-Ele não pode! O céu é um lugar muito belo, mas não tem caminho para a terra… ele está bem, lá é um cão feliz, como foi contigo!- Maria se levantou como se nada fosse impossível:
-Tem de haver uma porta secreta no céu, eu viria ver o meu cão e ele nunca será feliz sem mim, assim como eu, sem ele!- E correu para onde costumava correr com o seu cão, estava triste apesar do lindo dia de sol, estava triste apesar de todas as flores espalhadas pelo seu pequeno mundo, estava triste porque o meu cão, tinha ido para o céu e ela, não e como desejava ir...
A mãe não foi atrás dela, porque sabia que não saia dali, estava a penas a sofrer a perda do seu cão, o companheiro dela. Meu cão era o nome do cão, sempre lhe dissera que não se podia chamar meu cão, por ser não ser um nome. Mas ela achava que o cão era dela e seria sempre o meu cão.  A mãe acabou por sorrir e de não se importar! O chamado de “meu cão” era um cão pequeno, de raça nenhuma, talvez fosse de raça do amor para Maria gostar tato dele e ela tinha razão, era um cão muito especial, todo branco, com muito pelo, orelhas compridas e forte, por culpa de todos os bolos que Maria lhe dava, era cheio de amor e onde estava a filha, o meu cão estava. Ela cuidava do seu cão, brincava com ele as escondidas, mesmo que ele a seguisse sempre, em vez de se esconder. Eles corriam pelo campo da quinta para contar as flores, muitas vezes ele cai-lhe em cima lembendo-lhe a cara, que fazia muitas cocegas e a noite dormiam juntos, acordava com o seu cão a lamber a cara, ele sempre fazia isso, menos aquela manhã… Maria calçou os sapatos da mãe que tinha trazido a noite a trás e foi chamar-la porque o meu cão dormia muito e não se mexia, disse ela sentido que algo estava mal. Acorda o meu cão, dizia ela! Mas o seu cão não acordou mais! A mãe disse-lhe que o meu cão era agora um anjo, tinham de abrir um buraco na terra para ele dormir lá para sempre! Eu não gosto de anjos, nem de buracos na terra e chorou! Foi assim que a sua filha começou a sentir a perda, vai passar… pensou suspirando, olhando a sua filha, ficou a porta de casa. Maria era filha única, vivia numa quinta, rodeada de muitos animais, sem crianças para brincar cresceu com o seu cão como amigos para a vida e agora tinha seguir sozinha, uma perda demasiada grande para uma menina, que só queria o seu cão, algo que já não podia ter… a cozinheira, a Dona Susana, uma mulher já de idade muito avançada perguntou se a menina estava mais conformada. A mãe só disse: não, mas vai passar… Depois de algum tempo, demasiado tempo para uma menina sem o seu cão. Maria se aproximou da mãe com os olhos em tons de curiosidade, perguntou a mãe onde ficava o céu de Jesus? A mãe apontou para cima -Vês aquele azul bonito…  é o céu! O teu cão está naquele lugar bonito, devias ficar menos triste por ele…- Maria olhou aquele céu e respondeu com outra pergunta: Mas a mãe enterrou ele na terra, ele não consegue ir para o céu sozinho, é muito alto mãe e acredita, eu salto mais alto do que o meu cão e não chego lá! O meu cão está preso na terra, como pode chegar lá?- A mãe ajoelhou-se para ficar ao nível da filha
- Ali, está apenas o corpo dele, a alma dele foi para o céu.- Maria olhou para o monte onde o seu cão estava sepultado e pergunto: como vai poder o meu cão correr sem o seu corpo, ver sem os seus olhos e sem a sua boca para comer? A mãe tentando responder sem nenhuma certeza
- Se calhar o meu cão, não precise de comer, de ver e no céu seja capaz de voar…- como um passarinho... pensou Maria, mas os passarinhos não são como cães.
-Mãe, um cão nunca pode ser como um passarinho, um cão não voa e muito menos o meu cão, que é pesado e gosta de correr ! Corria mais do que eu...- Maria falava como se tivesse preste a começar uma corrida com o seu cão, ainda olhou o horizonte… A mãe por outro lado ficava sem palavras para tanto amor, suspirou e por fim disse: Acho que isso lá no céu não importa, porque lá tudo é possível… Maria!
-Menos eu lá estar para brincar com o meu cão…acho que ele gostava mais daqui na terra, mãe...- A mãe beijou-a na face -Talvez o céu do cães seja na terra… pensa que ele está bem onde estiver e tu logo encontras outro amigo!-
-Não quero outro amigo, quero o meu cão!- e fugiu como se tivesse a correr até se cansar, mas não foi muito longe. Deixou-se cair sobre a erva e ficou olhando o céu, gritou pelo meu cão como se ele fosse ouvir e espreitar por entre uma nuvem, abanando aquele rabinho curto de felicidade. Nada se ouviu, nada se viu, fechou os olhos tentando imaginar o seu cão e até ai, já não o conseguia imaginar bem. Deixou escapar: amo o meu cão! Ainda punha de comer ao seu cão todos os dias ao lado do monte, apesar da cara feia da mãe, ela era teimosa e parecia não querer desistir do seu cão. Um dia foi a aldeia e foi encontrar Maria a discutir com Jesus para ele lhe devolver o seu cão: -Já rezei muito para trazeres de volta o meu cão e tu não me ouviste, vou ter de ser má e morde-te um pé, vais ver como dói e acredita que não vai doer tanto como dói ficar sem o meu cão- Quando a mãe a puxou pelo braço para fora de igreja, ela ainda se virou e disse: gostava de ti, como a mãe gosta. Agora tenho raiva de ti por teres lavado o meu cão. Nem o facto de a mãe ter ralhado com ela, deixou de sentir raiva daquele Jesus que nunca ouve e levou o seu cão. Jesus não sabe o que é o amor, ou não levava o que a gente ama. A mãe dizia-lhe que Deus sabe o que faz, Maria não acreditava nisso, gostava era do que os outros amavam, isso sim! Foi com esse pensamento que um dia Maria chegou ao pé da mãe e disse: Eu nunca quero ir para o céu onde está Deus, não o quero ver brincar com o meu cão e saiu sem deixar a mãe falar. A mãe estava a chegar ao seu limite, ela também não aguentava mais ver a filha sofrer assim.
Numa das muitas noites em que Maria acordava de um sonho de saudade, (como ela lhe chamava) pareceu-lhe sentir o meu cão ladrar, levantou-se e foi a janela, uma tempestade caia e num cair de flash do céu (era assim que Maria chamava aos relâmpagos) pareceu-lhe ver o meu cão e saiu a correr para a rua, a chuva parecia nem lhe tocar. Talvez Deus a tivesse ouvido e devolver o seu cão. Chamou: Meu cão, varias vezes! A chuva cai sobre ela com toda a força, o vento puxava-a até ela perder a noção onde estava a casa e chamou pela mãe, foi quando caiu a terra molhada e a partir dai não se lembra de mais nada. Maria ficou de cama com febre, ora com o coração no céu, ora com os pés na terra, era frequente ela falar alto como se brinca-se com o seu cão. O médico tinha dito a mãe que era uma gripe, misturada com uma depressão, que devia correr tudo bem, mas podia evoluir para coisas mais graves, restava esperar.
Meu cão! Como estás bonito, nunca mais te vou deixar e ria… Maria sorria na cama do hospital. A mãe ao lado dela falava com ela com o medo da ideia que a Maria não pudesse voltar.
No céu: O meu cão ladrava em volta de Maria e saltando, ela dançava de felicidade em volta dele e ria, ria como se dela viesse todo o riso do mundo. O cão se afastava e ela corria atras dele, sentia-se cada vez mais leve, mais perto do céu, mais longe da terra. Foi quando uma mão a agarrou, ela olhou para trás e viu um homem com umas barbas grandes e gritou: Deus! Tens de me devolver o meu cão ou deixa-me ficar aqui.
Na terra: A mãe se encontrava agarrando a mão de Maria, as maquinas de suporte de vida dispararam o alarme e logo o medico apareceu, as enfermeiras afastaram a mãe que chorava.
No céu: Maria olhou para o homem mais uma vez sem obter resposta. Ele sorriu e disse que não era Deus, apenas a tinha vindo ver. A mim? Perguntou Maria surpreendida! Sabes há muito anos deixei na terra uma menina como tu, então vim ver-te! Nasci a pouco tempo, não podia ser eu… sei disso, mas és igualzinha, por isso serve para matar saudades. Hum… já viste Deus, é que quero o meu cão de volta ou ficar cá! O homem riu-se, nunca vi Deus e já muito tempo estou aqui, talvez juntos o possamos encontrar…
       Na terra: Para a mãe de Maria na terra, o cenário lhe parecia cada vez mais horrível, ela não podia perder a filha que tanto amava, e la orava com o coração a seu Deus para que não lhe levasse a filha
        No céu: Sim, com a sua ajuda posso encontrar Deus! O homem olhou para ela e sorriu, abanando a cabeça que sim! Não hoje e nem amanhã, pois se o fizermos agora a tua mãe vai perder o seu cão. Maria ficou confusa, a mamãe não tem cão! Não, disse o homem. Mas tem o amor por ti, o mesmo amor que tens pelo teu cão e tu também tens por ela, que eu sei! Só que pensas não ser tão forte porque ainda não perdeste a tua mãe e vais perder se ficares aqui, como eu perdi aquela menina parecida contigo. Nesse momento o meu cão aproximou-se de Maria lembendo-lhe a cara e ela, amo tanto o meu cão.
         Na terra: A enfermeira disse a mãe que os  médicos iam fazer o ultimo esforço para salvar Maria. A mãe deixa-se cair no chão e chora,foi levantada e deram-lhe um acalmante, ficando na cadeira olhando céu azul lá fora, a cor mais triste que já tinha visto.
            No céu: Maria repetia, amo o meu cão e ele se afastou olhou para ela abanando o rabo, ela abaixou os olhos em lágrimas, amo-te muito meu cão, mas amo mais a mamãe e não a posso deixar. O homem olhou para ela, tocou-lhe no rosto para lhe limpar as lágrimas e disse, fizeste a melhor escolha Maria… eu vou cuidar do teu cão, prometo! Mesmo verdade? Perguntou Maria. Juro pela minha menina e tu prometes-me uma coisa? O quê? se vires a minha menina dá-lhe um abraço por mim e cuida dela por mim? Maria levantou a cabeça e prometeu, isto se a vir disse ela! Vais ver! Disse o velho a sorrir e agora vai, a tua mãe precisa de ti. Maria olhou para o meu cão, ele ladrou e o velho beijou-a na testa, Adeus Maria e foi ter com o cão, juntos sumiram. Maria se sentiu pesada, muito pesada que a nuvem se abriu e caiu.
         Na terra: O medico se aproximou e disse: conseguimos, ela está estável! A mãe sorriu a chorar, quase como se não acreditasse! Só perguntou: Quando a posso ver? Mais logo, sorriu o médico tocando-lhe no ombro. Maria recuperou rápido,ao que os médicos lhe chamaram de milagre. Quando abriu os olhos, perguntou a mãe se tem dado comer ao meu cão. A mãe sorriu e disse-lhe que sim e quando uma semana depois Maria voltou para casa e viu o monte, onde estava o meu cão sepultado e vivo a sua tigela com comida foi lá e trouxe-a, dizendo: ele  já não precisa, lá no céu tem quem cuide dele mamãe! A mão sorriu abanando a cabeça que sim.
       A Primavera passou, veio o Verão e o Outono, Maria tentava encontrar a tal menina, mas sem exito! Isso a deixava ansiosa, pois queria cumprir a sua promessa. O monte do cão tinha desaparecido, ela nunca o esqueceu, mas sabia que estava bem. A mãe tocou-lhe no ombro queres ajudar a mãe arrumar umas coisas velhas? Ela acenou que sim e juntas foram mexer nas coisas velhas, caixas, roupas e coisas que eram do pai. Numa caixa Maria encontrou uma foto antiga, lá estava um homem parecido com o homem que tinha visto com uma menina parecida com ela e perguntou a mãe quem era? Ela limpou a moldura e disse, está pequena sou eu e este homem o meu pai, o teu avô. Já nem me lembrava que tinha esta foto, vou pô-la na sala, o que achas? Maria concordou, não disse nada a mãe, mas agora sabia que a menina era a mãe e o homem no céu o avô. Ela abraçou a mãe e disse-lhe, amo-te muito mamãe e vou cuidar sempre de ti, prometo! A mãe espantada com o gesto da filha, tentou esconder as lágrimas com um: também te amo muito minha filha e vou cuidar sempre de ti

Comentários

  1. Por incrível que pareça mesmo acompanhando desde o princípio você conseguiu me surpreender e encantar com este conto. Parabéns amor

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