O poema da rosa

Numa roseira havia uma rosa que se sentia menos bela, mas tinha o sonho de tal como uma rosa bela, de morrer por um amor, ser musa de um poema. Porém era sempre outra colhida e não
ela, apesar de isso, sentia que o seu dia chegaria, um dia  iria ter o seu
grande amor, o seu poema e iria ser colhida, murchar por um amor ou por um
poema e espalhando assim seu perfume. Talvez guardassem as suas pétalas, nas
folhas de um livro de poemas, cada vez que alguém o abrisse sentia que ela
tinha sido ali deixada por um grande amor e o seu perfume, a sua alma ainda lá
estaria. Todos os dias outra rosa era colhida e mais uma vez ela era esquecida,
às vezes chorava de noite para ninguém ver, só os primeiros raios de sol, lhe
revelava às lágrimas nas suas lindas pétalas. O sol, sempre carinhoso as
limpava dizendo: Hoje é a tua vez! Mas nunca era, mais uma rosa era colhida em
seu lugar e os dias iam passando, até restarem poucas… ela já não tinha aquela
juventude, estava cansada, e a perder as cores. Só o seu perfume era mais intenso,
porque a sua alma estava ainda sonhando… nos poucos dias que passaram, só ficou
ela. Todas tinham sido colhidas, ela se sentiu feia e num último esforço para
ser bela caiu no chão e ficou sem forças. Era o seu fim e nada o que tanto
sonhará se tinha realizado. Todas as rosas da sua roseira tinham sido colhidas
por um amor e ela… estava ali no chão, murcha e abandonada. Foi então que
sentiu uma gota cair sobre as suas velhas pétalas, é a chuva pensou… mas alguém
pegou nela com muito cuidado, sentiu o calor de uma mão, viu um homem a chorar
e com as lágrimas vinham palavras quase silenciosas: a minha rosa preferida, a
mais bela de todas e por isso nunca a dei… era o jardineiro que sempre cuidou
dela. Levou-a e colocou-a no caderno dos seus poemas “A minha rosa favorita” os
poemas tinham sido escritos para ela. Tentou sorrir, dá-lhe as últimas cores…
mas morreu e ele cheirou-a e fechou o caderno.


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