A estrela de natal

História de amor em formato de texto e num natal em que muitas famílias não
têm, acho que toda a magia de um natal se vai com este terrível pensamento...
para essas pessoas vai este pequeno texto


Uma certa noite enquanto a
pequenina estrela se espreguiçava para acordar do seu sono, descuidou-se e caiu
do céu, batendo com violência numa rocha ficando machucada numa das suas
pontas, por todo lado espalhou o pó das estrelas quem tem magia e logo ali fez
nascer muitas flores, numa noite bem fria de inverno. Para os humanos daquele
país, era dia 20 de Dezembro de 2012, porém a estrelinha na mente não tinha
números, só se importava com duas coisas, com a dor da sua ponta direita e como
ela iria voltar ao seu céu e lá crescer mais, brilhar como a sua mãe e ser a
estrela mais bonita para a lua, pois era ela que as espalhava lá no céu. Ela
ainda mal se via, por isso ficava sempre à espera de crescer e agora tinha lhe
acontecido esta desgraça! Olhou para o céu e viu todo ele cheio de estrelas,
gritou por elas e viu a lua, gritou de novo! Ninguém a ouviu e como brilhava
pouco, ninguém a viu. Não pode deixar de chorar, cá em baixo era tudo tão duro,
ao contrario do seu céu que era fofinho como uma nuvem  e fazia frio,
tapou-se com umas folhas e ficou olhando o céu tentando encontrar a sua mãe,
ela é linda e brilha muito, mas cá de baixo é tudo tão parecido... ninguém deve
olhar lá para cima, pensou! Quando o dia começou acordar ela adormeceu, meia
escondida nas folhas
21-12-2012
Joãozinho saiu do quarto dizendo ao pai que ia ao correio a pôr a carta do pai natal no correio com o
seu pedido e saiu aos pulos. O pai sentiu aquele aperto no coração de quem mal
tem para dar de comer ao filho quanto mais uma prenda! Ele sem emprego e a
mulher numa cama à beira da morte, tanto que muito provavelmente nem chegaria
ao natal e chorou como uma criança em cima da mesa despida de tudo, na verdade
a única luz naquela casa era o sorriso do Joãozinho ao mesmo tempo tão doce e
doloroso para si, pois qualquer momento esse sorriso podia-se morria como tudo
naquela casa. Já lhe tinha passado pela cabeça que o melhor seria isso,
morrerem todos pois por lá deve haver o tal paraíso... sinceramente, a sua fé
em Deus tinha-se esfumado ao mesmo tempo que via aquela horrível doença
leva-lhe o seu grande amor, só mesmo pelo Joãozinho ficaria por cá, ai se
assim não fosse... partiria com ela! A mulher sentiu-o soluçar chamou-o com a
pouca voz que tinha. Ele limpou as lágrimas como pode e fingiu estar bem,
entrou no quarto onde ela estava há meses como se já fosse um móvel do quarto.
- Precisas de algo? Perguntou ele ainda com a voz trémula. Ela tentou sorrir, e
deixou sair quase silencioso um: quando Deus me levar vai tudo ficar melhor,
podes sair do país e arranjar trabalho. - Não digas disparaste mulher, nunca te
vou deixar! E os dois se abraçaram a chorar, enquanto ela lhe tentava dizer tem
de ser amorzinho, tem de ser! Depois de ela adormecer saiu do quarto
bateu a porta e na rua fria, pensou limpando os olhos. Tenho ao menos de
arranjar uma prenda para o miúdo, ele merece tudo, o pai natal não se vai
esquecer dele, prometeu!
22-12-2012
No dia atrás Joãozinho pulou até a uma rua de onde não se via a sua casa, depois se assentou numas
escadas, olhou para aquele envelope todo enfeitado com desenhos seus e rasgou
tudo e botou no lixo. Ele sabia que o pai natal não vai a casa da gente pobre,
fazia aquilo para o pai sentir que ele estava bem, ele sem trabalho e a mãe
doente tinha ao menos ver algo de belo em casa, como o seu sorriso, mesmo que
fosse fingido. Tinhas passado muitas noites a treina-lo, também fazia bonitos
desenhos que ele próprio colava no quarto da mãe, gostava de a ver sorrir. O
pai era mais difícil de fazer sorrir, mas sempre o conseguia fazer com as suas
caretas e quando a mãe estava melhor, ele ia ao quarto dele conta-lhe um conto,
sempre inventado por ele embora dissesse que tinha lido num livro muito bonito.
Mas o pai não sabia mentir, sabia que criava aquele mundo todo só para ele, o
pai era mesmo uma pessoa muito especial! Mesmo sendo pobre, era o melhor pai do
mundo, acreditem! Cozinhava e como tinham pouco dinheiro para comprar alimentos
era sempre pouco, o melhor era para a mãe. Mesmo ela não querendo, eles fingiam
haver o mesmo na sala e lá comia com as risadas dele. As vezes ela chorava, ele
dizia para não chorar que ia ficar boa e quando saia do quarto corria para o
quarto e chorava ele, até o pai o acalmar! Eles os dois jantavam na sala, o pai
sempre fingia estar cheio para ele comer mais, só que fingia não querer mais e assim
o pai comia. As vezes roubava uma fruta por ai para matar a fome, era um menino
mau e ele sabia de isso! Muitas vezes gostava de brincar com os amigos, mas
muitas vezes se cansava muito com falta de energia e então inventava que tinha
coisas para fazer em casa e ia por esses montes a fora com o tempo todo e
sempre que via o pai ou entrava em casa fingia o seu mais belo sorriso e ia
fazer companhia a mãe ou jogava com o pai com uma velhas cartas. A noite pensava
em coisas para fazer os pais felizes e rezava muito, rezava muito pela mãe. Não
era bem rezar, pois não o sabia fazer, falava com Deus, com todos santos e
anjos pedindo pela mãe, ele acreditava que o seu amor também era algo como
rezar.
23-12-2012
Nesta noite Joãozinho acordou ainda de noite, havia barulho em casa sentiu a voz do médico, era algo a que já se tinha habituado em casa, provavelmente a mãe estava com muitas dores e teve quase para se levantar a correr para abraçar a mãe, só que desta vez ficou quieto com o seu coração aos pulos ouviu dizer ao médico que ela não chegava ao natal. Saltou da cama, saltou pela janela e fugiu a chorar atravessou tudo até cair de cansaço no bosque e chamou pela mãe, não sabia dizer mais nada que essa palavra que lhe ia faltar. Tentou se concentrar para pedir aquém o tivesse ouvir que não lhe tirassem a mãe e ninguém o ouviu, gritou sozinho que odiava o natal e tudo que fosse bonito, porque sem a mãe nada mais seria bonito, nada mais o faria sorrir e nem pensar em coisas boas, a não ser na mãe. Chorou sem saber o quanto, chorou até ver que lá ao fundo algo brilhava. Como miúdo que era, ficou curioso, levantou-se a chorar e caminhou até à luz, não pensou em medo e perto de luz viu que entre as folhas estava uma brilhante estrela. – Também caíste do céu? – Perguntou a estrelinha. – Não! – Respondeu ele limpando as lágrimas. – Eu chorei muito quando caí do céu… então porque choras? – Olhou-o a estrelinha com curiosidade. Ele volta a chorar e responde: Minha mãe vai morrer… - As mães não morrem! – Respondeu a estrelinha convicta da sua verdade.   – Mas a minha está muito doente e o médico disse que vai morrer antes do natal – E voltou a chorar em soluços e depois repetiu: Eu não quero que ela morra! Não quero que ela morra! A estrelinha ficou sem saber o que dizer na verdade, ficou assustada que a sua pudesse também morrer e ainda por cima, ela tinha caído do céu e nem poderia abraça-la mais. A estrelinha contou a sua história ao Joãozinho e ele pegou nela levou-a para casa para a poder curar da sua ponta com os remédios das dores da mãe.  - Não são muitos bons, pois não salvaram a minha mãe, mas tiram as dores – Disse o Joãozinho limpado os olhos mais uma vez. Estava ranhoso e por isso limpou-se a manga da camisola. Com as mãos levava cuidadamente a estrelinha, como se fosse de cristal. No quarto junto a janela deitou-lhe uma pomada e como tinha muita luz tapou-a para ninguém a ver, as vezes falavam baixinho e juntos pediram pela mãe dele e dela, assim adormeceu. A estrelinha sentia-se estranha, ficou a pensar no Joãozinho.
24-12-2012
Nessa madrugada enquanto a estrelinha pensava... mãe do Joãozinho sentiu-se leve e até se levantou mas ao ver o seu corpo deitado na cama percebeu que a sua hora tinha chegado. Tocou suavemente na face do seu amor dorida pela dor e foi ao quarto do filho para lhe dar o último beijo e ao entrar viu uma grande luz, era para ela a entrada no outro mundo. Beijou o filho e pode sentir toda a dor no seu coração, tudo vai ficar bem disse ela com um sorriso. A estrelinha ali ao lado sentiu-se a flutuar no ar ao ser tocada pela mão da aquela mulher que ela sabia ser a mãe do seu único amigo na terra. Então a estrelinha percebeu que não tinha caído por acaso,  tinha vindo buscar a mãe de Joãozinho e enquanto ia subindo no ar pegou-se a fazer isso, lutou para que ela a deixa-se, mas pareciam colados e estrelinha gritou, abalou-se toda que o seu pó mágico se espalhou pela mulher e ela soltou a estrelinha e caiu no chão do quarto. A estrelinha subiu no infinito, até tocar no céu. Ao acordar Joãozinho sentiu que a mãe morrerá e começou a chorar, correu para o quarto e abanou a mãe, logo o pai apareceu e tentou separar o filho da mãe e foi ai que ela abriu os olhos. Todos ficar como se o mundo fizesse uma pausa e só a mãe se mexe-se. - estou bem! - disse ela a sorrir,  sinto-me maravilhosamente bem! Todos se abraçaram a chorar, as suas dores parecia não querem deixar seus corações, ainda não acreditavam que tinham perdido, a dor acabou e a felicidade se espalhou pelos seus corações. Depois de tantos abraços e sorrisos a mãe contou o sonho que tivera. Joãozinho gritou a estrelinha não é  um sonho mãe eu vou buscá-la e correu para a janela mas nada encontrou. Voltou para a mãe, já não está lá, mas estava! Disse ele convicto. A mãe sorriu e disse eu sei que sim! Não há muito para comer mas vamos ter o melhor natal de sempre! Disse o pai a sorrir e depois tirou do bolso um pequeno presente para o filho. Disse-lhe: vai pô-lo na chaminé oferecendo o ao filho. Ele olhou para o pai com uma lágrima e perguntou se o podia dar alguém a quem não tivesse nenhum, é que já tive o meu melhor presente a minha mãe. O pai que tanto se esforçar limpou uma lágrima de orgulho e felicidade e acenou-lhe a cabeça com um sim. Foi um dia maravilhoso, a noite também, uma consoada com pouco mas muito no coração. Os pais foram deitar o Joãozinho com uma linda história desta vez contada pela mãe. Quando Joãozinho ficou só levantou-se e olhou para o céu e disse em tons de oração obrigado estrelinha e do céu recebeu um piscar de olho em forma de luz.
25-12-2012
Finalmente o natal chegou,vamos deixar o Joãozinho ser feliz com a maior prenda de todas e talvez se o governo deste país tomar juízo o pai arranje um emprego e dar dignidade   a família,  pois esta família podia ser uma das muitas famílias que infelizmente estão neste situação. A estrelinha talvez tenha falhado na sua missão de fazer da mãe de Joãozinho uma estrela no céu. Porque ganhou um coração e o coração humano segue o amor trocando as voltas ao destino. Eu acredito que quando uma pessoa que amamos parte, passe a ser parte de uma estrela lá no céu...

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Entre a terra e o céu

A princesa e o criado