Parabéns

Pede um desejo, diz alguém! Enquanto se preparar para apagar às velas, tantas como o número de anos que já viveu. Nesses anos todos, não se lembra de um desejo pedido que se tenha realizado, apesar de cumprir a tradição. Também nunca conseguia apagar às velas todas de uma vez só, talvez fosse por isso que os desejos não se realizavam... Na verdade, nem acreditava naquilo e nem gostava de essas confusões, de muita gente há volta e para ele cinco já eram muitas. Não sente que tem essa idade. Porém não o deixam ser da idade que realmente tem, não a do seu nascimento, mas a que sente. Não será essa a mais sincera? Já não tens idade para essas coisas... Dizem! Até às coisas têm idade para fazer, depois há que fazer outras mesmo que não gostes delas. Foi por isso que acabou num emprego que não gostava, ele queria ser palhaço mas já não tinha idade para isso. Apesar de sempre fazer rir os outros, mesmo sem pinturas. Quando era novo a mãe apanhou-o a pintar os lábios, foi um daqueles dias e aí, era por não ter o sexo certo, para poder usar isso. A pena tentou imitar um palhaço que tinha visto num circo bem amador. Já tinha visto palhaços na televisão, como na altura não tinha cor, não via às cores que um palhaço tem, nem precisava! Mesmo assim ficava de olhos pegados na televisão e aí ria era como se visse ao espelho. Nunca vestiu o seu facto de trabalho ou seja, de palhaço. Era a penas aos olhos de toda a gente, o senhor doutor e nem ele sabia bem de quê! Mas aos pais fazia sentido. Os anos em cima do corpo acaba por nos dar direitos e no fim nos tira tudo, pesam até nos fazer dobrar. Ao som dos parabéns assoprou às velas como se fosse uma breve brisa, nenhuma apagou e todos se riram, um gritou fracos pulmões e ajudou apagar às velas, mais um ano passou sem ser palhaço...

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