O quarto

No meio de uma estrada perdida encontrou uma velha placa, seca de vida e onde se lê o quarto. Com uma seta apontando para um caminho ainda mais perdido, quase tomado pela vida selvagem. Apesar de grávida a curiosidade levou-a por esse caminho e a medida que avançava, às árvores pareciam fechar o caminho atrás de si, até se sentir parte da floresta. Caminhando com dificuldade, dá com uma espécie de largo rodeado de árvores altas que o nome desconhece e só conseguia ver o céu, que parecia mais alto do que nunca! No meio de este lugar escondido estava uma construção velha, sem janelas a penas com uma porta bem velha e uma placa ainda mais velha, onde estava marcado a fogo uma frase “O quarto-entre e assente-se saia quando a porta se abrir”. Ficou receosa, mas muito mais curiosa e empurrou a porta que fez barulho como se tivesse acabado de acordar. Espreitou e o quarto estava vazio, tira-se uma velha cadeira, mas luxuosa e um grande espelho, nada mais havia ali! Existia uma fraca luz que não sabia de onde vinha, era um lugar onde parecia viver o silêncio, tudo em volta, dentro e fora o silêncio era absoluto, como se nem na mata houvesse vida. Entrou e nada aconteceu, viu apenas uma palavra escrita por cima do espelho: “assente-se!”. Já que a curiosidade a tinha levado até ali não temeu em se assentar. Olhou-se ao espelho e não resistiu ao gesto de dar um toque no cabelo. Só quando a luz sumiu do quarto sem explicação, ficou assustada, quis se levantar, mas por qualquer razão não conseguiu. Não consegue definir o tempo que passa, a escuridão é cada vez mais negra, ela olha para o espelho tentando se encontrar, estranhamente quanto mais o faz se sente relaxada ao ponto de estar meia adormecida e começa a ver luzes no espelho, vultos e aos poucos se transformam em imagens nítidas e vê um baloiço no que lhe parecia um jardim infantil, depois uma começa a brincar nele e como se fosse um filme de infância, uma música muito triste e infantil começou-se ouvir. Às cores eram confusas, meias gastas, tudo aquilo tinha sabor à sua infância, apesar de não se reconhecer na imaginem. Gostava do que via, até que a cena era misturadas com outras de gritos e imagens de crianças desmembradas, sangue por todo lado. Ela tentava fechar os olhos e pensava na pobre criança no baloiço, tinha de sair dali. Os gritos agora eram horríveis e até sentia o cheiro a sangue quente, a sua imagem foi projectada na cena toda manchada de sangue, ela procurava pela menina que vira no início, estava a jogar um jogo infantil, talvez a macaca, cheia de sangue, olhou para ela com uma faca na mão perguntou: ainda falta mais alguma mãe? Ela grita como se quisesse sair mas continuava lá, pega na filha, tira-lhe a faca e a chorar com a dor maior enforca-a numa árvore ali perto. Chorava enquanto agarrava a corda e a filha se debatida pela vida. Foi quanto tudo se apagou e ela gritou de novo, como se tivesse afogar-se e de repente respira-se. Enquanto o quarto ficava com luz. Mal se conseguiu mover saiu dali toda suada e nem sentia a chuva que agora caia. Só pensava que estava grávida e chorava...

Ele nunca tinha andado por ali, quando encontrou a placa com indicação do quarto, segui-o o caminho com o jornal debaixo do braço. Entrou no quarto e assentou na cadeira, logo o quarto esqueceu e começou a ver imagens dele numa sala que ele reconheceu como a sala da casa dos pais e nela a mãe fazia tricô ao som dá radio. Ele começa a chorar pois a sua mãe tinha sido assassinada naquela sala, a cena como um filme continua avançar e ele agora tem uma discussão com a mãe, não consegue ouvir, só pedia desculpa a chorar na sua cadeira. Depois no espelho ele bate na mãe com um pisa papéis e pouco depois saiu do quarto a fugir gritando, não matei a minha mãe, não... Deixando cair o jornal onde estava uma notícia com uma foto de um massacre cometido por uma menina e a mãe a tinha enforcado.

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