Às vezes sinto saudades de pessoas que já não estão neste mundo e que me eram queridas. Imagino se elas não sentiram às mesmas saudades... Se eles viverem numa espécie de um mundo paralelo ao nosso, numa dimensão qualquer que nós não conseguimos ver. Imagino se eles nos viessem buscar, será que queríamos ir com eles?

O jantar era servido sempre ao som das notícias na televisão, normalmente comia-se sem dizer nada, com os olhos postos na televisão como se tivessem medo de se olharem nos olhos. Eram uma família, mas se portavam como se fossem os únicos habitantes em casa, quando falavam uns para outros, era como falarem sozinhos.  Naquela noite fria de Inverno não era diferente, só por momentos pararam de comer para dar atenção uma notícia estranha: numa aldeia na Sibéria, os pássaros deixaram de voar e caíram mortos no chão, eram milhares deles. Um cientista achava ter morrido de frio, mas a verdade é que nunca se vira algo assim, mesmo nos dias mais frios!
O pai que quase nunca dizia nada ao jantar, tirou os olhos da televisão e agarrando um pedaço de pão disse: isto é aquela coisa do aquecimento global, anda tudo lixado!
A filha que era muito de acreditar no paranormal, achava ser forças ocultas, talvez o sinal que há muito esperava. Mas não disse nada, mais tarde viria na net. A sua família era constituída apenas por ela, o pai e o irmão, que quase nunca estava em casa. A mãe tinha falecido há uns anos, vítima de um acidente, algo que o pai nunca conseguiu recuperar e nenhum deles. O pai passava os dias a trabalhar e à noite dormia. O irmão drogava-se por essas ruas e terras, muitas delas desconhecidas para ela, pois raramente saia de casa e da sua aldeia. Com os seus 16 anos ela lia muito sobre bruxaria e fantasmas, tinha esperança de um dia poder falar com a mãe, era um segredo só dela. A noite procurava na internet sites e livros que lhe falassem do assunto, gostava mais de livros e dos antigos, de sentir o poder nas suas mãos. Lembra-se de uma vez, terem entrado na casa de uma vizinha no dia do seu funeral para roubar um livro antigo, era chamada de bruxa e depois de morrer, quis ficar com o seu poder que estava simbolizado naquele livro. Era mais um dos seus segredos, algo que não se orgulhava muito. Só que para ela os fins justificavam os meios e para além disso, a vizinha tinha morrido, já não precisava do livro. Tinha-o escondido de baixo do colchão e a noite lia-o as vezes. Mas nesta noite iria pesquisar sobre a notícia dos pássaros que vira na televisão. Em breve descobriu que acontecerá em mais locais um pouco por todo mundo e cada vez havia mais relatos, de outros casos e de barulhos estranhos na noite, como se fossem vozes de mortos de tão horríveis eram os barulhos. Organizava toda informação, como sempre que costumava fazer com coisas estranha ou macabra. As notícias eram cada vez mais um lugar a parte, só dela, o que fez com que a sua noite fosse grande, até ligou a televisão num canal de notícias. Assim passou a noite, fechada no seu quarto a tentar descobrir os sinais do que pudesse vir por aí... apesar de no dia seguinte, Sexta-feira, à meia noite tinha um momento importante na sua vida, mesmo assim não se deitou mais cedo e aproveitou também para dar os toques finais ao trabalho que tinha planeado para aquela noite. Deixou-se dormir em cima da cama com tudo ligado e o seu caderno aberto. Os dias para ela eram muito igual a todos os outros, sempre sozinha numa casa meia escura com coisas velhas, algo que ela adorava e no fundo, bem lá no fundo de si, também gostava de estar sozinha em casa, embora reclama-se com o pai por a deixar sempre tão só e a resposta era sempre a mesma: já não és nenhuma criança e tenho de trabalhar. Na verdade, não se lembra de alguma vez ter sido criança, desde que perdeu a mãe traçou o objectivo de a voltar encontrar. No princípio pensou em se matar, seria a forma mais simples de ir a ter com ela. Fez vários planos nesse sentido, talvez por falta de coragem de fazer algo tão ousado, nunca o tentou fazer. Por uns tempos se chamou de fraca por não ter a coragem de partir, pensava que não amava tanto a mãe. Foi num programa de televisão que encontrou o seu caminho, se tornar numa alma aberta ao outro mundo para onde a sua mãe tinha ido. Uma mulher falava com os mortos. Pensou fazer o mesmo, ao princípio limitava-se a ir até à campa da mãe e chamar por ela, muitas das vezes gritou o nome dela e numa noite caiu em desespero e se deixou cair sobre a campa da mãe a chorar, ela nunca respondia por mais que sentisse saudades da voz dela. Foi o pai a busca-la de baixo de uma chuva forte, pensou que iria apanhar umas palmadas, mas só a levou para casa. Teve a sensação de que ele também chorava, devia ser a chuva, só ela sentia a falta. Por fim, começou a ler e a procurar informação sobre tudo que era contactos com os mortos. Desde essa altura que ela vem procurando esses caminhos e hoje Sexta-feira era a primeira experiência desde que começou a ler e a estudar, algo que muito desejava! Apesar de estar um dia chuvoso, não era problema, tinha tudo preparado e na sua mente, acreditava que o momento de falar com a mãe tinha chegado. Passou o dia a ouvir notícias, os pássaros mortos apareciam cada vez em mais locais e o mundo estava estranho com o assunto, na televisão apareciam muitas pessoas a darem a sua opinião. Apesar de ninguém saber o motivo de tais mortes e ainda deixavam tudo muito mais confuso. Havia quem sai-se para a rua a avisar sobre o fim do mundo, outras ficavam horas a olhar para o céu como esperasse revelar o segredo. Ela via tudo isso como um sinal, sentia que algo tinha mudado. O dia passou assim, sem ver o irmão e ansiosa pela meia-noite que chegou devagar. Á mesma hora de sempre o pai chegou, hoje cheio de álcool, algo que também era hábito lá em casa. Quando era assim, nem jantava, contava uma das muitas histórias da mãe (que ela já sabia de cor) até adormecer. Ela tentou comer algo e as 23 horas saiu de casa, usando um vestido preto, com botas e meias, com um capucho preto tentava esconder a cara. Chovia e os relâmpagos iluminavam o caminho frio da aldeia. Adorava esta causa da natureza, era como nos filmes. O cemitério não ficava longe, a aldeia era pequena, como todas pensava ela! Com este tempo, o frio da noite e o adiantar da hora ninguém estava na rua. Parecia uma sombra a fugir pelas ruas, acompanhada pelo vento e a chuva. Saltou o muro do cemitério (algo que treinara muito) e procurou a campa da mãe e como sempre fazia, ajoelhou-se e pós uma rosa vermelha sobre o mármore frio. Olhou para o relógio e viu que tinha algum tempo para preparar as coisas. A chuva não a incomodava, só tinha algum receio que com a luz dos relâmpagos a pudessem ver, pois não muito longe dali havia algumas casas com às janelas viradas para lá e foi assim que da outra vez a viram e foram avisar o pai. Mas com um tempo assim, ninguém a ia ver, pelo menos acreditava nisso. A chuva era miudinha, mas batia forte na cara e friamente. Foi tirando às coisas da mochila, três velas pretas com uma protecção para a chuva e para o vento, tinha pensado em tudo. Com tinta vermelha desenhou um círculo em cima da campa da mãe, depois um triângulo dentro do círculo. Pós uma vela em cada canto do triângulo e acendeu-as. Preparou uma galinha preta e quando o relógio começou a bater às doze badaladas, começou a orar em latim e com uma faca da cozinha degolou a galinha deixando o sangue se espalhar no triângulo fazendo um chamamento em latim. Um relâmpago caiu lá ao longe e trovejou fortemente, como se as portas do além se abrissem. As cruzes reflectiram a sombra com a luz vinda do céu. Continuo a fazer o chamamento em latim e depois chamou pela mãe três vezes. O seu grito se confundia com o trovejar e como não havia sinais da mãe, gritou mais alto como se tivesse possuída e por fim, sem ouvir a mãe num ato de desespero cortou a palma da mão, para lhe dar o seu sangue e gritou pela mãe, o vento passou por ela atirando com as velas e de repente, viu um luz forte que parecia vir da terra e algo atirou com ela para o chão. Não sabe quanto tempo ficou no chão, quando veio a si conseguiu entender o que acontecerá. Um relâmpago tinha caído no cemitério que a fez cair e desmaiar. Tinha de sair dali, a mão doía-lhe. Rasgou um pouco do vestido e relou-o na mão, pegou no que pode e foi para casa, pelo caminho sentiu coisas à cair do céu, eram pássaros, também aqui tinha chegado o fenómeno mistério. Mas naquele momento só queria chegar a casa, enquanto caminhava as lágrimas rolavam pela cara abaixo confundindo-se com as gotas de chuva que caiam do céu.

No dia seguinte foi acordada pelo pai, avisa-la de que havia pássaros mortos por todo lado! Parecia assustado! Escondeu a mão ferida, virou-se, só sentiu a porta bater com força e adormeceu. Acordou quase à hora de chegar o pai, sentia-se triste pois o seu esforço para falar com a mãe não passou de uma desilusão, só não sentia como um fracasso, porque não sabia interpretar se o facto de o vento ter tombado às velas e o relâmpago cair perto se não seria um sinal... Não o sabia! Suspirou e foi cuidar da mão e depois de fazer o jantar, aventurou-se pelo pinhal. Tinha visto a cara de algumas pessoas e estavam assustadas com o fenómeno, algumas velhas se encontravam ao pé de capelas, ajoelhadas a rezar o pai-nosso. A aldeia tinha mudado... Teria ela aberto alguma porta para o além? Era difícil de acreditar, pois o fenómeno dos pássaros mortos tinha começado antes de fazer a sua tentativa. Apesar de estar muito concentrada nos seus pensamentos, sentia que algo a observava por entre os pinheiros, ouvia também passos lá longe, as vezes respirações bem pertinho. A noite estava a cair e achou melhor ir para casa, o pai já tinha chegado. Quando lhe perguntou onde tinha estado, disse-lhe que tinha estado com uma amiga. Ele nem sabia que ela não tinha amigas, aceitou a resposta é começou a falar de que tinham andado a fazer magia negra na campanha da mãe. Estava furioso, mas jantou e foi para o quarto. Ela pegou na loiça e levou-a, depois foi para o quarto a ver noticia e como ainda estava cansada adormeceu. Acordou com a televisão ligada a falar de mais casos de pássaros mortos e isso estava assustar as pessoas. Durante o dia, notou que mesmo na sua aldeia os pássaros continuavam a cair. As pessoas já tinham até marcado uma procissão para essa mesma noite, a pedir protecção a Deus. Ela própria não entendia bem o que se estava a passar, só sabia que não era com procissões que se resolveria o assunto, isto era algo muito forte! por entre às coisas parecia existir sombras, como se fosse a morte... Abraçou-se a si própria, já que não tinha ninguém e foi para dentro, talvez a hora tenha chegado... Pensou! Vai haver mortes, os pássaros caem porque eles, estão a aprender a comunicar... Não tinha medo! Talvez estupidamente sentisse dor pelo pai e o irmão. Olhou pela janela do seu quarto e logo viu um pássaro cair, sem luta, talvez sem dor.
A noite começou a deitar a sua escuridão sobre a luz e logo o dia se foi, sentia as vozes da procissão se aproximarem, em coro rezava “Ave-maria” era uma cena sinistra para ela, uma espécie de delírio colectivo, era assustador! Ficou à janela sentido a procissão se aproximar, para além daquele
som forte que sai-a com fé da alma das pessoas, cada uma trazia uma vela que nem a chuva miudinha apagava. Sentiu que toda aldeia estava na procissão, menos ela e ao passar ao seu lado alguém lhe chamou pecadora. Mas tudo parou momentos depois ao se aproximar do cemitério, alguém começou a chorar e a gritar: Está ali o meu pai! Um homem que já falecera à muito tempo. Tentaram agarrar a mulher, ela resistiu com toda as suas forças e mesmo ali ela gritou: Eu vou consigo meu pai! Tentou se matar, tinha-o feito se não fossem as pessoas e no dia seguinte apareceu morta, tinha-se envenenado! Foi um choque para aldeia e todo, mundo comentava a cena. De todas as versões, só um ponto era comum em todas, ninguém vira o pai da tal mulher. Talvez tenha ficado louca de medo, diziam! Ela também podia se ver como uma louca em busca da mãe, mas sabia que algo mais do que uma loucura tinha feito aquela mulher tirar a vida. Estas últimas vinte e quarto horas tinha sido uma espécie de caus emocional na aldeia, o medo estava agora nas pessoas e não nos pássaros. Na televisão passava mais casos de suicídio um pouco por todo mundo, a cada dia aumentavam e já lhe chamavam a nova moda, outros diziam ser o efeito da crise e alguns afirmavam ser um vírus, outros, o juízo final. A verdade para ela, era que eles tinham aprendido a comunicar com os vivos, os pássaros era só um acto de aprender. Correu para o cemitério com a esperança de encontrar a mãe, mas como sempre estava vazio. Se assentou na campa e ficou a olhar a noite escura, sem estrelas e sem lua. Havia acima de si umas nuvens bastantes negras que deixavam cair lágrimas. Quando voltou a casa encontrou seu pai num canto muito diferente do que era, sem olhar nos olhos dela começou a repetir: eu via! Eu via! Embora já pressentia-se a resposta, perguntou: Viu o quê? Pai! Ele sem olhar para ela fez silêncio e disse depois: A tua mãe! Eles vêm nos buscar... Tocou no ombro do pai e perguntou: eles? O pai não disse mais nada... Parecia longe. Deixou-o no sítio onde o tinha encontrado e foi para o quarto sem comer! Estava triste por a mãe ainda não a ter procurado... ela que tinha feito sempre tanto para falar com a mãe e foi o pai que ela procurou... Talvez o pai tivesse bebido, não tivesse visto nada! Porém, ela sabia que era uma desculpa para acalmar a sua desilusão. Devia estar feliz, pois a qualquer momento podia encontrar com a mãe, mas não estava! Os dias seguintes, fizeram da vida um caus. Na televisão, amostravam suicídios atrás de suicídios, havia já muito abandono das casas, trabalho e o seu pai cada vez andava mais estanho, não falava e nem comia, tão pouco trabalhava! Tentou encontrar o irmão, mas nem sinal dele. Ainda havia a dor de até agora a mãe não a ter procurado. Cada vez mais gente na sua aldeia via os seus ante queridos e já tinha havido mais mortes. Pela primeira vez sentiu medo de perder o que lhe restava...
Todos os dias ia ao cemitério, andava por ai perdida. Apesar de isso a mãe parecia fugir dela. Já não via televisão, nem ia a internet  pois o mundo estava num caus e já começava a ver cortes nos bens de primeira necessidade. A própria luz sofria cortes constantes, havia milhões de pessoas a suicidarem. Tinha a vontade de fazer o mesmo, acabar logo com a dor! Mas já não tinha essa certeza... com o tempo a aldeia foi ficando deserta, por uns fugirem outros se suicidaram. O pai mal se via, por isso resolveu dar uma volta pela noite, por entre o pinhal como gostava de fazer. O nevoeiro cobria o chão, dos pinheiros parecia saírem de uma nuvem. Nunca tinha visto nada assim, andava com dificuldade agarrando-se aos pinheiros, é melhor ir para casa... pensou! Por cima de si havia muitas estrelas, era belo o cenário, apesar dos perigos de não ver onde punha os pés. Num breve segundo algo passou por sim, olhou de repente e viu avó como ainda se lembrava dela. Aquele vulto feito de nuvem mas com os traços bem marcados como se tivesse sido esculpido na nuvem, olhou para ela por segundos talvez parou e depois seguiu em frente por entre os pinhos. Ela segui-a aquele vulto de nuvem com muita dificuldade até um lugar, onde ao longe viu mais pessoas que eram a sua família, viu a mãe junto aos pais e ao lado por sua surpresa, viu o irmão... ele estava morto! Deixou-se cair no chão e chorou, enquanto às imagens desapareciam como se fosse ilusões... sabia que não era, continuo chorar até ganhar alguma coragem para voltar para casa. Assim que chegou àquela casa sem ninguém se deixou cair na cama e atirou com tudo para o chão. Sinto que descobrira naquele momento o quanto gostava do irmão... não conseguia pensar em mais nada! Chamou-lhe nomes, mas amava-o. Nos dias seguintes andou um pouco perdida, por ruas desertas e cheios corpos mortos, as suas almas se foram e de lixo que o vento arrastava, era já uma aldeia fantasma, talvez ela própria o fosse... o seu coração que sempre procurara o amor de mãe, sentia-se magoado pela a perda de um amor que julgava não sentir. Já não ia a casa, na verdade isso parecia já não importar para ninguém! Sabia que ia morrer breve, ou viver a morte afinal era também era uma outra vida, um outro mundo. Apenas aguardava o toque da mãe, o toque do fim da dor... Adormecida por estes pensamentos, foi acordada por um toque brusco. Algo lhe tocou e fugiu, ela seguiu aquela sombra mais negra que a noite e logo viu o que parecia ser a sua família junta numa imagem tão frágil, como um assopro. No principio parecia não conseguia bem focar os frágeis vultos, depois viu bem a mãe, o irmão e o seu pai, para sua dor também ele se tinha juntado ao resto da família. Correu para eles e logo tudo se sumiu por entre as suas mãos. Foi para casa e logo viu o pai caído na sala, tinha disparado sobre a sua cabeça. Tentou chorar, mas já não tinha lágrimas. Subiu para o telhado da casa e do ponto mais alto olhou a aldeia fantasmas escondida na noite, pensou que talvez fosse a ultima alma viva na terra e deixou-se cair, sentiu o corpo se rasgar pelo caminho e no chão bateu tirando-lhe a luz toda.
Quando voltou viu a sua família olhando para ela, finalmente estava com eles e quando se afastavam tentou acompanha-los, mas tudo lhe dói-a e não conseguiu, estava viva. Gritou para esperarem por ela, pois devia faltar pouco para morrer. A mãe virou-se olhou para ela por segundos e depois continuo a caminhar até ser chupados pelo céu, a porta se tinha fechado. Ela chorou, por tudo e adormeceu. Acordou quando o dia estava cheio de luz, pensou estar ferida mas não estava, foi como se nunca tivesse saltado e talvez não tivesse saltado, talvez tivesse sonhado. Entrou em casa e viu o cadáver do pai, chorou de amor, sentia-se culpada por tudo... enterrou o pai no quintal, já que não havia ninguém por li. Encontrou um bilhete onde o pai escreverá: AMO-TE

Era uma boa prova de amor, pensou... estava no momento de falar com os vivos, se houvesse algum.

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