Jasmim

Jasmim, ao contrário de outros anjos. Era um anjo feio, no meio da beleza celestial. Por isso era olhado de lado pelos outros anjos, não o mostravam abertamente, mas a verdade é que o faziam e ele se sentia triste. Mais triste ficava quando nascia uma nova alma humana e para ela era escolhido um anjo da guarda, ele tinha sempre esperança de ser o escolhido, porém nunca isso aconteceu! Ficou esquecido numa nuvem como se fosse um objecto velho que ninguém queria. O tempo foi passando e as asas de Jasmim, já por si feias, começaram a ficar com as penas murchas, como as pétalas de uma flor seca e as asas secaram, caíram. Perdeu assim a última esperança de ser um anjo da guarda, como tanto sonhará. Afinal, os anjos como ele nascem para guardar almas ou melhor, os anjos bonitos...pensou ele! Nesse dia se sentiu muito triste e deixou cair umas lágrimas, que foram notadas por um anjo que na altura regressava da sua missão. Isso é muito estranho, pois um anjo não chora, não têm sentimentos humanos. Esse anjo resolveu leva-lo ao arcanjo Gabriel, ele saberia o que estava acontecer.
      Quando Gabriel olhou para as lágrimas de Jasmim, soube logo que ele era meio humano, algo errado tinha acontecido na sua passagem, na verdade devia ter sido eliminado! Os anjos são seres perfeitos e ele era tudo menos perfeito, não devia estar ali! Mas por enquanto, nada podia fazer! Teria que falar disto ao seu mestre e ele resolveria o problema. Jasmim foi abandonado outra vez a sua sorte, enquanto alguém escolheria seu destino. O seu mundo era perfeito demais para ele, apesar de amar aquele mundo sentia que o mundo não o amava. Foi com este pensamento que resolveu visitar a terra, talvez ela o amasse mais, já que era meio humano como diziam.
       Passar da beleza do seu mundo para o da terra, não foi muito difícil. Pois a terra tinha igualmente muita beleza, como as flores que ele fascinado olhava e os pássaros, sempre ouvira falar da terra, porém ver era outra coisa e sentir, como os odores... costumava andar à chuva, sentir o vento na face. Ao lado de cada pessoa via um anjo, sempre silencioso, era como se não o vissem. No princípio, tentou falar com as pessoas, mas elas não o ouviam e passou a observa-las, chegando à conclusão serem belas, apesar de muitas terem um coração negro, mesmo essas tinham anjo da guarda. Num desses dias de Inverno, meio chuvoso, encontrou num jardim cinzento, uma mulher de cor negra. Cabelos pretos, com uma boca linda e um olhar lindo, porém triste e virado para o chão, como se escondesse o coração. Como ela não o podia ver, Jasmim observou bem toda a sua beleza e tudo nela, era o que de mais belo já tinha visto na terra. Olhou em volta procurando o seu anjo da guarda, só que não encontrou nenhum. A chuva caía com mais força, como ela não se mexia, resolveu abrir um buraco numa nuvem e um grande raio de sol caiu sobre aquele corpo triste e pensativo, que nem notou aquele gesto mágico. Ficou a olha-la até que partiu, pensou em segui-la, porém limitou-se a vê-la fugir dos seus olhos. Sentiu-se triste com a tristeza dela e no dia seguinte voltou ao mesmo jardim. Na verdade, de jardim não tinha nada, havia mais cimento que plantas e as poucas que havia, estavam quase secas. Ela apareceu umas horas depois, sentou-se no mesmo banco e vinha triste como no dia atras, porém o coração de Jasmim sorria de a ver. As ruas estavam desertas, fazia muito frio, apesar do sol que brilhava no céu. Ele olhou-a, tocou-lhe na face com uma caricia, que a fez mover a mão como se afastasse uma mosca e nada mais fez. Então fez com que cada planta daquele jardim florisse só para a ver sorrir, só que nem dou por nada! Ficou mais uma vez a olha-la até vê-la partir, desta vez correu atrás dela e seguiu-a, até ela entrar numa casa. A noite começava a cair e ele resolveu esperar por ela ali naquele lugar. Um anjo não dorme, mas olhou as estrelas, nunca se cansava de o fazer. 
    Quando a viu sair, foi atrás dela, sentiu-se como se fosse o seu anjo da guarda. Por pensar nisso, tinha de descobrir o porque de ela não ter um, talvez um outro anjo lhe pudesse dizer... mas agora só tinha tempo para a olhar., ficaria para mais tarde! Fazia vento, caiam algumas gotas, ela andou pela cidade o dia todo até chegar ao mesmo lugar e sempre triste, ao chegar ao jardim o vento levou-lhe o lenço, que a fez correr olhando para o céu e Jasmim aproveitou, para transformar cada gota numa pétala de rosa e começaram a baloiçar no céu, pela primeira vez sorriu e dançou, triste mas dançou em quanto tentava apanhar algumas pétalas. Ele ficou a olha-la, nunca vira tanta beleza, seu peito gritava de alegria e até chorar depois quando ela se deixou cair no chão em cima de um mar de pétalas. Pelo menos tinha-a feito sorrir. Na volta perguntou a um anjo porque algumas pessoas não têm anjo da guarda, não queria falar, mas acabou por dizer que não têm, porque vão morrer. Jasmim sentiu seu peito sufocar pela dor, não podia crer que fosse verdade! Desta vez não ficou a porta, entrou e assentou-se onde ela se assentava, andava por onde ela andou e quando ela se deixou dormir no sofá, ele acariciava-lhe os cabelos, beijava e chorou a noite toda, não conseguiu parar as lágrimas, seu peito dói-a demais!
    No dia seguinte, voltou ao seu mundo tentando saber como ajuda-la, mas nada podia fazer... chorou amargamente. Voltou à terra e desta vez tudo lhe parecia triste. Sentia-se humano e por isso temia por ela, por isso não queria imaginar a terra sem ela e muito menos a eternidade. Encontrou-a no mesmo lugar de sempre, tentou pensar em fazer algo de mágico só que no seu coração não havia magia. Limitou-se a olha-la como se pudesse gravar toda a sua beleza, depois seguiu-a e acabou por vê-la dormir. Uma coisa é certa, nunca iria abandona-la.
     Vê-la acordar, era como ver nascer o sol, enchia o mundo de luz. Hoje faria coisas lindas por ela, apesar de triste queria fazer com que sorrisse. Saiu a mesma hora de sempre e pelas mesmas ruas, o dia estava cinzento e frio. Ao passar por uma rua ela cai e logo ali sem se saber como apareceu um carro, que lhe ia passar por cima, mas Jasmim se meteu à frente apanhando com toda a raiva daquele carro, ficando estendido no chão em quanto alguns flocos de neve começavam a cair, como se fossem penas de uma asa de um anjo. Apesar de assustada a levantou-se, estava bem e Jasmim ao vê-la sorriu, tentou segui-la, não foi capaz de se levantar. Logo apareceu a morte para o levar, sim porque ele se tinha tornado meio humano, ou já nascera assim e todo humano morre. Só uma luz forte vinda do céu impediu da morte o levar o amor de Jasmim, o próprio Deus veio busca-lo, seu coração já batia devagar e sentiu um amor profundo nos braços de Deus em quanto era levado de novo para uma outra eternidade, para outra forma de ser. Deus nunca revelou para ninguém o destino de Jasmim, dou apenas um meio coração humano a cada anjo e numa noite desceu à terra com o coração de Jasmim nas mãos, enquanto ela dormia colocou dentro dela o coração de Jasmim junto ao dela, dou-lhe uma nova vida.

     No dia seguinte ela acordou cheia de felicidade, nem se lembrava do que tinha sido. Saiu para a rua dançando e foi comprar a flor que mais amava Jasmim

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