A Lagartinha

Preta era uma lagartinha muito gordinha que vivia numa linda flor, gostava de se deitar nas pétalas e olhar as nuvens a desenharem mil e uma formas, ora um gato, ora uma estrela. Até parecia que as nuvens sabiam do que ela gostava! Apesar destes momentos bons, a lagartinha não era feliz, não tinha amigos, pois os outros animais não gostavam dela, por ser preta e gordinha, chamavam-lhe feia. Por isso, estava sempre na sua flor. Às vezes, sentia o Sr. Grilo com o seu violino a tocar lindas melodias, nessa altura ela dançava, dançava em cima da sua flor. Também havia dias, que o sapo velho saltava muito alto, era tão cómico. A lagartinha ria muito! Quem me dera poder saltar assim... pensava! Ao fim do dia, por baixo da sua flor passava a mãe formiga com os seus cento e um filhos, cantando a passo. Ela via tudo da sua flor, mas nunca descia, pois não sentia amor de ninguém, era infeliz e o seu maior sonho, era ser bela como uma princesa. Pois todos gostariam dela.
Certo dia, estava na sua flor a contar as nuvens, quando se sentiu estranha, o corpo parecia adormecido e sentia muito sono, por isso adormeceu. Quando acordou viu muitos bichinhos a sua volta a sorrirem, ela ficou assustada, não estava habituada!
-Que bonita! Disse a mãe formiga, logo os filhos gritaram: SIM!!! Ela olhou para o lado, como se houvesse mais alguém...eu? Perguntou receosa.
-Sim, a menina borboleta, é muito bela! Disse o Sr. Grilo fazendo uma vénia.

-Borboleta... eu?...foi quando reparou nas suas asas coloridas. Deu um salto, com um forte grito de alegria e voou, muito desordenadamente, pois nunca tinha voado. Gritava, sou linda! Linda! Como estava feliz, voou de flor em flor até ficar cansada. Os bichinhos batiam palmas e chamavam por ela.
-Todos me amam! Gritava.
O Sr. Grilo passou o dia a tocar para ela, as formigas batiam as palmas e sapo cantava, foi uma grande festa! Mas o dia chegou ao fim e com ele se foi o sol, a escuridão invadiu o céu e todas as coisas, incluindo as suas lindas cores. A tristeza caiu de novo no seu coração, os bichinhos já não eram seduzidos pelas suas cores e ficou sozinha. Chorou muito, até que teve a ideia de ir falar com o Sr. Mocho. Como ele sabia tudo, também devia saber como prender o sol para sempre no céu e ser sempre bela. Esse pensamento, animou seu coração e foi bater a porta do Sr. Mocho, que vivia no alto de uma árvore muito velha, tão velha como o velho mocho. Bateu à porta devagarinho, pois o Sr. Mocho estava sempre acordado a fazer as suas pesquisas. Logo foi abrir e ao ver a borboleta convidou-a a entrar e ouviu toda a história contada com lágrimas. O Mocho dou-lhe um lenço para limpar as lágrimas e disse-lhe: Isso que me pedes é impossível de fazer, pois o sol é o rei de tudo e ele faz o que deseja. Além disso, amanhã terás as tuas cores de novo, vai descansar e não estejas triste. Assim fez, mas o seu coração chorava por tão escuridão cair no mundo e a chorar adormeceu.
No dia seguinte, acordou cedo e logo se pós a voar feliz da vida, enquanto os bichinhos a amavam, gritavam: linda!!! Foi assim o dia todo, sentiu-se mesmo uma princesa! Mas logo o fim do dia chegou e a borboleta ao ver o sol partir, gritou com toda a sua alma: Não vás, fica por favor! Porém, o sol não parou e até parecia que fugia mais depressa. Ela voou atrás dele, o mais rápido que podia! Mas o sol cada vez se afastava mais e a borboleta ficou cansada, caiu no chão, triste e num lugar estranho. Deixou-se ficar deitada e pensou na sua flor, como seria bom estar lá... foi recordando o perfume dela que adormeceu. Acordou de noite, com um esforço de alma assentou-se lembro a sua triste vida chorou de novo. Foi quando viu, não longe dali, muitas luzes, muito brilhantes.
- É a terra do sol! Pensou... depois de olhar melhor, teve a certeza de isso! Reuniu as suas últimas forças e voou para lá, pois ali seria sempre bela, uma princesa. A luz ficava cada vez maior e forte, isso lhe dava mais força e voou mais rápido. Como era intensa a luz, como brilhariam as suas cores... aproximou-se feliz da vida e queimou as asas e caiu no chão. Pois o que a borboleta não sabia era que a luz vinha de uma lâmpada eléctrica. Sem asas, a borboleta perdeu toda a beleza e chorou amargamente, teve saudade da sua vida como lagartinha, agora longe do seu mundo, sozinha... seria muito mais infeliz e deixou-se adormecer pela dor. No dia seguinte, acordou com muitos bichinhos por perto. Tentou esconder-se de vergonha, pois estava feia de novo.
-Anda cá linda, não te escondas! Disse um bichinho.
-Linda, eu?...mas perdi as minhas cores, asas...
-Todos nós perdemos algo na luz, mas isso não importa, pois a verdadeira beleza vem dentro de nós

-Sim!!! Gritaram todos. A borboleta deixou de se esconder e ganhou muitos amigos, nunca mais foi infeliz. 

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